O sistema
prisional de Pernambuco passará a contar com sete mil novas vagas até 2018. O
anúncio foi feito pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos do estado,
Pedro Eurico, em coletiva de imprensa nesta quarta (3) sobre a assinatura da
licitação para retomar as obras da segunda unidade do Centro Integrado de
Ressocialização (CIR), em Itaquitinga, na Zona da Mata Norte. Desse total de
vagas, duas mil ficarão disponíveis com as duas unidades que integram o CIR,
quatro mil serão no presídio de Araçoiaba, na Região Metropolitana do Recife, e
outras mil serão distribuídas em unidades prisionais de Garanhuns, Palmares e
Tacaimbó.
O edital da
licitação para a retomada das obras da segunda unidade do complexo prisional de
Itaquitinga foi publicado no Diário Oficial de Pernambuco nesta quarta (3). Com
orçamento de R$ 14,5 milhões, as obras devem começar no segundo semestre de
2017. "A unidade, inicialmente, seria de regime semiaberto, mas decidimos
transformá-la em uma unidade de regime fechado para minimizar a superpopulação
carcerária de Pernambuco", explicou o secretário. Com a mudança, a unidade
prisional deixa de ter capacidade para 650 presos e passa a abrigar cerca de
mil detentos. O início do funcionamento da unidade está previsto para junho de
2018.
Essa é a
segunda obra do espaço cuja construção é retomada após um hiato de cinco anos,
já que a primeira unidade do presídio estava parada desde 2012 e teve a construção retomada em janeiro de 2017. Ainda segundo
Pedro Eurico, os recursos financeiros para a realização da obra vieram do Fundo
Penitenciário Nacional, que disponibilizou, em dezembro de 2016, R$ 44,7
milhões para Pernambuco.
Desse
total, além dos R$ 14,5 milhões empregados na retomada da construção da segunda
unidade prisional em Itaquitinga, outros R$ 10 milhões foram utilizados para
retomar as obras da primeira unidade. O restante da quantia será destinado à
construção de um presídio em Palmares, já que esse município na Zona da Mata
Sul possui 800 detentos em uma unidade com capacidade para 80 presos.
Esses
valores, segundo o secretário, são destinados apenas às obras e, portanto, não
abrangem os gastos com equipagem das unidades prisionais. "Estamos
realizando um estudo detalhado para calcular o que será empregado em
equipamentos, mas o governo de Pernambuco já reservou, inicialmente, R$ 12
milhões para os equipamentos utilizados pelo sistema prisional dessas novas
unidades", esclareceu o secretário.
Com o sinal
verde para finalizar a obra da segunda unidade do complexo prisional de
Itaquitinga, o titular da secretaria de Justiça e Direitos Humanos espera que o
espaço comece a funcionar em junho de 2018. No caso da primeira unidade, cujas
obras foram reiniciadas em janeiro de 2017, a expectativa é de que o trabalho
seja concluído em agosto deste ano e, no mês de outubro, espera-se que o espaço
esteja disponível para abrigar detentos. As outras três unidades que compõem o
complexo seguem sem data para a retomada das obras.
Construção interrompida
Orçado
inicialmente em R$ 350 milhões, o Centro Integrado de Ressocialização (CIR)
teria 70% do investimento feito pela iniciativa privada e outros 30% seriam
investidos pelo governo do estado. A obra tinha previsão de ser o maior
complexo prisional do estado, com capacidade para abrigar 3,5 mil presos.
A
construção deveria ter sido iniciada em outubro de 2009, com prazo de três anos
para a conclusão. No entanto, os trabalhos só iniciaram em junho de 2010 e, em
2012, com a saída do consórcio Advance-Socializa, as obras foram interrompidas.
Obra citada em delação da Odebrecht
De acordo
com relatos de Marcelo Bahia Odebrecht, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos
Reis e Benedicto Júnior, registrados na petição 6.706, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, solicitou
apoio à Odebrecht em 2012 para auxiliar na construção do Centro
Integrado de Ressocialização (CIR). Apesar de não haver interesse por parte da
Odebrecht para participar da licitação e ingressar na obra, a empreiteira
entrou no projeto através da DAG Construtora.
Na prática,
foram aproximadamente quatro meses no canteiro de obras. Durante esse período,
a DAG chegou a fazer uma limpeza na área e, segundo Marcelo Odebrecht, a
empresa precisou sair devido a problemas ‘escabrosos’.
G1
