Os trabalhadores dos Correios em Pernambuco decidiram entrar em greve por
tempo indeterminado durante assembleia realizada na noite desta quarta-feira
(26) no Clube Português, Zona Norte do Recife. A decisão reforça o movimento
nacional, que é contra as demissões,
fechamento de agências e possibilidade de privatização. As atividades começam a
ser suspensas já a partir das 22h desta quarta. A estatal afirma que os
prejuízos somaram R$ 2 bilhões no ano passado.
Os trabalhadores, no entanto, defendem que
os atuais problemas financeiros da empresa fazem parte de um "plano de
desmonte" para possibilitar a privatização. "Desde 2011 não se faz
concurso público, não há novos contratos. Agora, com o plano de demissão voluntária,
diminui ainda mais a quantidade de funcionários e isso afeta a distribuição, o
atendimento, a empresa precariza seu serviço",
comentou ontem o diretor de comunicação do Sintect-PE, Eliomar Moreira.
A assembleia aconteceu simultaneamente em
vários estados do País, todas no intuito de reforçar o movimento nacional. Além
de pedir o fortalecimento institucional dos Correios e universalização dos
serviços, os trabalhadores reivindicam melhorias nas condições de trabalho, a
contratação de novos funcionários, mais segurança nas agências, o retorno da
entrega diária e o fim da suspensão de férias.
Com a greve, a expectativa dos
trabalhadores é pressionar a empresa para que seja realizada uma auditoria em
suas contas, já que os movimentos trabalhistas questionam os números oficiais
divulgados indicando prejuízos bilionários.
Segundo o sindicato, os Correios têm cerca
de 3,5 mil servidores em Pernambuco e 200 agências. No Brasil, são 1.250
agências.
PATRÕES
Em nota, a empresa informou que, caso o
movimento grevista seja deflagrado, os Correios adotarão as medidas necessárias
para garantir a continuidade de todos os serviços. Mas, diante do movimento
nacional, o presidente dos Correios, Guilherme Campos, criticou a paralisação.
"A greve reduz o nível do serviço entregue, dá argumentos nesse sentido
[da privatização] ", disse. "É muito difícil privatizar, mas se a
empresa não se mostrar viável, qual outro caminho nós vamos ter?".
O comentário vai na linha do posicionamento
da pasta à qual a estatal está subordinada. Segundo o ministro da Ciência,
Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, a empresa precisa
realizar cortes radicais para evitar a privatização.
Jc Online