O 25 de outubro, dia da Democracia, chega nesta terça-feira (25) com uma reflexão diferente dos outros anos. Se até o ano passado pairava no ar a possibilidade, ora distante ora próxima, do impeachment da presidente Dilma Rousseff - o segundo desde a reabertura política, há três décadas - agora o impedimento já aconteceu sob acusações de uns de que teria sido um golpe contra o Estado democrático. Outros afirmam que não. E elencam que todas as instituições funcionaram durante todo o processo, representando não enfraquecimento, mas a trilha da consolidação da nossa democracia.
A instabilidade política no País vista desde a eleição da agora ex-presidente Dilma, em 2014, fez com que caíssemos na percepção da democracia em vários indicadores internacionais. No levantamento Economist Intelligence Unit (EIU), sobre a "qualidade democrática" de 167 países, divulgado em janeiro, o Brasil perdeu sete posições, caindo para o 51º lugar, ficando atrás de países como Botsuana, Argentina e Costa Rica.
A falta de cultura política da nossa população foi o ponto mais falho, tendo recebido a nota 3,75 de um máximo de 10. O processo eleitoral, pela informatização e rapidez na apuração, foi o nosso ponto mais eficiente: 9,75. O Brasil ficou na categoria "democracia falha", ficando atrás de nações como Costa Rica e Botsuana. A nota geral brasileira caiu de 7,38 em 2014 para 6,96.
Embora leve temor aos políticos em Brasília, sendo atacada pelos mesmos, a operação Lava Jato é vista pelo analista na equipe da EIU da América Latina, Rodrigo Aguilera, como um fomentador para elevar o ânimo da população sobre o debate político. "É um processo de depuração profundo, mas que levará a uma conscientização maior da população e dos políticos", acredita.
O cientista político e professor da Universidade Católica de Pernambuco Thales Castro, defende que a democracia no País está em um processo de consolidação que chegará na maturidade com mais três ciclos eleitorais, 2018, 2020 e 2022.
"A democracia brasileira não sofre de alguns atrasos vistos em outros países aqui da América Latina (por exemplo a Venezuela), mas está em progresso constante. Acredito que o processo do impeachment ajudou nisso. Uma ajuda não muito garante, mas que serviu para isso", defende. O especialista coloca ainda que embora algumas bandeiras da esquerda continuem afirmando que foi um golpe, isso não se solidificou, sendo, tanto aqui dentro como no exterior, o entendimento de que tudo aconteceu pelo manto da constitucionalidade. "Embora tenha sido um processo doloroso, traumático."
Brasil e América do Sul
Essa comparação entre o Brasil e as nações próximas também é feita pelo mestre em relações internacionais da Universidade Central da Venezuela, Marcus Carrieres, embora não considere que o impeachment ajude nesse processo. Ele coloca que o trauma desse amadurecimento está sendo sentido por toda América do Sul.
"O Brasil ainda possui uma democracia falha, com, por exemplo, denúncias de compra de votos e partidos de aluguel, mas está em situação melhor que aqui, pois os poderes se mostram independentes", pontua. Ele lembra que isso não está acontecendo com o seu país. Por lá, o presidente Nicolás Maduro, que perdeu o domínio no Congresso, controla o Judiciário e tem se utilizado deste domínio para impedir o avanço opositor parlamentar.