O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, revelou uma longa rotina de créditos em contas no exterior do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso desde janeiro em Curitiba.
Na audiência desta quinta-feira na Justiça Federal do Paraná, Cerveró se manteve em silêncio.
Ele não respondeu a nenhuma das 25 perguntas que lhe foram feitas pelo juiz da Lava Jato.
"Eu vou permanecer em silêncio", repetiu 25 vezes o réu.
No entanto, Sérgio Moro fez questão de registrar suas perguntas com base em documentos anexados aos autos do processo em que Cerveró é réu.
Ele é acusado de receber propina em contratos de navios-sonda da Petrobras.
A sequência de indagações do magistrado indica intenso fluxo financeiro em contas que, segundo a força-tarefa da Lava Jato, seriam controladas por Cerveró.
Ele foi questionado sobre uma transferência de US$ 40 mil em 23 de janeiro de 2008, na Suíça, um crédito de US$ 75 mil em 17 de setembro de 2008 e outro de US$ 299.973 em 14 de maio 2009.
Esta última seria relacionada à conta Forbal, sediada no Uruguai em nome da offshore Forbal Investment, constituída por Cerveró em 29 de abril de 2008, no paraíso fiscal de Belize, na América Central.
A força-tarefa da Lava Jato suspeita que a Odebrecht - maior empreiteira do País e cujo presidente, Marcelo Bahia Odebrecht, está preso - pagou propinas também para Cerveró.
"Tem conhecimento da conta Forbal?", perguntou Moro.
"Não, quer dizer, vou permanecer em silêncio", esquivou-se o ex-diretor.