O juiz Fernando Tourinho, da 1ª Vara Criminal da Capital da Infância e da Adolescência, pediu novas diligências à Polícia Civil no caso que apura o assassinato do médico José Alfredo Vasco Tenório. As provas apresentadas no inquérito policial, mesmo após duas audiências com testemunhas de defesa e de acusação, não foram suficientes para o juiz proferir a sentença sobre a acusação que aponta dois adolescentes como autores do homicídio.
Por telefone, a nossa reportagem entrou em contato com o magistrado e com a promotora que acompanha o caso, Adriana Gomes, mas nenhum dos dois pôde comentar o assunto, já que o processo, por se tratar de acusados com menos de 18 anos, corre em segredo de Justiça, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A delegada Ana Luiza Nogueira, responsável pelo inquérito policial, também preferiu não comentar o caso e se limitou a dizer que já havia respondido às novas determinações judiciais.
Por meio da assessoria de comunicação da Polícia Civil, a delegada informou que três pessoas prestaram depoimento, na sede da Deic (Divisão Especial de Investigação e Capturas). De acordo com a assessoria, foram três testemunhas de um assassinato ocorrido no dia 3 de dezembro de 2011, no Vale do Reginaldo, cuja vítima é um homem identificado como Edvelson Ferreira de Lima.
As testemunhas, disse Ana Luiza Nogueira, reconheceram os dois adolescentes acusados na morte de Alfredo Vasco como envolvidos no assassinato no Vale do Reginaldo. A delegada não explicou, entretanto, se o registro desses novos depoimentos faz parte do cumprimento das novas diligências.
O caso
José Alfredo Vasco, de 67 anos, foi morto na tarde de um sábado, 26 de maio deste ano, quando passeava pedalando sua bicicleta na Praça Vera Arruda, no Stella Maris. Dezenove dias após o homicídio – que teve ampla repercussão no Estado –, a Polícia Civil anunciava a elucidação do caso: dois adolescentes de 16 anos haviam matado para roubar.
Em entrevista coletiva concedida no dia 14 de junho, a cúpula da Polícia Civil apresentou o trabalho de investigação, que foi comandado pela delegada Ana Luiza Nogueira. Para chegar aos acusados de disparar o tiro que atingiu José Vasco nas costas, foram coletadas cerca de 100 filmagens de câmeras de segurança da região, das quais 36 foram analisadas minuciosamente. Eram gravações em vídeo de câmeras instaladas em prédios residenciais e estabelecimentos comerciais ao longo do caminho de fuga percorrido pelos jovens desde a Praça Vera Arruda.