Preso em flagrante no dia 21 de fevereiro deste ano (terça-feira de carnaval) por ter assassinado a tiros o jovem Bruno Macena da Silva, 21 anos, e ferido outras duas pessoas em um bloco de carnaval em Murici, o ex-cabo PM Samuel da Silva, Souza, de 42 anos – que já tinha outro homicídio em sua vida pregressa –, foi posto em liberdade no último dia 19. O habeas corpus solicitado por seu advogado, José Álvaro da Costa Filho, foi concedido pela Vara Criminal de Murici. O mandado de liberdade provisória foi expedido no último dia 14.
Samuel da Silva Souza foi expulso da PM no dia 27 de fevereiro, seis dias após o crime, mas por um processo anterior, em que era acusado de extorsão e formação de quadrilha.
Antes, em setembro de 2002, o então soldado Samuel foi levado a júri popular por assassinato. Foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado. Porém, o juiz que proferiu a sentença – a Polícia Militar não informa o nome do magistrado – “entendeu que o réu não deveria perder a função pública de policial militar”. Ele só cumpriu 1/6 da pena (dois anos e dois meses) e foi colocado em liberdade – como policial militar, com arma e autoridade de policial. Voltou a cometer crimes, inclusive de morte.
Em 21 de fevereiro, quando matou o jovem Bruno Macena em Murici, o então cabo PM Samuel estava fazendo um “bico” como segurança do Bloco Tudo Azul, que mobiliza toda a população de Murici nas terças-feiras de carnaval. Samuel estava oficialmente licenciado da PM “para tratamento de saúde” – e foi flagrado armado, aparentemente sob efeito de álcool e num bloco de carnaval.
Durante o desfile do bloco Tudo Azul, segundo relatos de testemunhas, o cabo Samuel provocou confusão, aproveitando que estava armado. Quando um grupo de pessoas foi abordá-lo, o cabo sacou sua arma e disparou várias vezes. Um tiro matou Bruno Macena da Silva. Outros disparos feriram o tenente PM Gustavo Luiz de Oliveira Souza e outro folião, Marcone da Silva.
No velório de Bruno, seu pai, o sargento PM Ernande Macena da Silva, culpava a Justiça pela morte do filho. "Se ele [o cabo Samuel] tivesse sido excluído da PM quando cometeu outros crimes, não estaria armado no bloco, e meu filho não teria morrido", dizia, revoltado, o pai.
O sistema de informação online do Poder Judiciário de Alagoas também não informa o nome do juiz que agora o colocou em liberdade.