MPF solicita novas diligências para caso de PF morto por policiais civis em 2011

O Ministério Público Federal (MPF) recusou o inquérito apresentado sobre a morte do policial federal Jorge Washington Cavalcanti de Albuquerque, morto por policiais civis em janeiro de 2011. Para a Procuradoria da República, ainda há pontos que precisam ser esclarecidos no caso, de forma que novas investigações se fazem necessárias.
Jorge Washington morreu depois de uma troca de tiros com agentes do Departamento de Combate ao Narcotráfico (Denarc), que confundiram o policial e um segundo PF, Sílvio Romero Moury Fernandes dos Santos, com suspeitos de tráfico de drogas. Sílvio também foi baleado mais sobreviveu. No entanto, os dois grupos buscavam os mesmos criminosos.
No entender do procurador da república, Anderson Vagner Gois dos Santos, ainda há muitos pontos a serem esclarecidos. Os responsáveis pelos disparos, Fabiano Ponciano da Silva, Leandro Barbosa de Souza e Roberto Carlos de Oliveira, alegaram legítima defesa, mas não há indícios que haja legitimidade na ação, visto que os PFs não chegaram a esboçar nenhum gesto agressivo.
No documento, expedido em 9 de maio de 2012, o MPF decide instaurar novas diligências para checar se policiais civis se identificaram para haver reconhecimento no momento da ação. Além disso, o texto questiona se os acusados foram orientados pela Secretaria de Defesa Social (SDS) do Estado sobre o cumprimento das normas de cuidados e de repressão ao uso progressivo da força.

ENTENDA O CASO
- Em 5 de janeiro de 2011, os policiais federais Jorge Washington e Sílvio Moury cumpriam uma missão de repressão ao narcotráfico no Terminal Integrado de Passageiros (TIP) do Recife. Na ação, o acusado Wagner Alves do Nascimento foi detido com uma carga de 17 quilos de pasta-base de cocaína.
O criminoso confessou que havia recebido instruções para tomar um táxi e entregar o entorpecente a uma pessoa que o esperaria em frente à fábrica de tintas Coral, na BR-232, no bairro do Curado, Zona Oeste do Recife. A fim de conseguir um flagrante e também prender o receptador, os PFs se encaminharam ao local combinado junto com o traficante.
No entanto, uma equipe do Denarc formada por Fabiano Ponciano, Leandro Barbosa e Roberto Carlos de Oliveira também investigava o mesmo grupo e chegou à frente da fábrica de tintas ao mesmo tempo que os PFs. Os grupos, então, confundiram uns aos outros com os receptadores. Os civis saíram do carro que estavam e deram início a um tiroteio que matou Jorge e feriu Sílvio ainda dentro do veículo.
Apesar de terem alegado legítima defesa, o taxista e o traficante afirmaram que ação dos civis começou antes mesmo dos PFs darem início a uma ação brusca. Ainda segundo o Instituto de Criminalística (IC), também não foi encontrado vestígios de pólvora na mão de Jorge, o que não indica uma ofensiva por parte do policial federal.