Sem alarde, na última sexta-feira (17), a Advocacia Geral da União
(AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para revogação
urgente da liminar, proferida no fim de 2011 pelo ministro Ricardo
Lewandowski, que barrou a apuração da corregedoria do Conselho Nacional
de Justiça (CNJ). O recurso da AGU foi encaminhado ao relator do caso,
ministro Luiz Fux, conforme reportagem do O Globo. No início de
fevereiro, o STF garantiu os poderes do CNJ de investigar e punir
magistrados independente da atuação das corregedorias locais do
tribunais de Justiça.
Se o ministro Fux não reconsiderar a decisão do colega, a AGU quer
que o caso seja examinado pelo plenário da Corte. A maioria do tribunal
já assegurou que o CNJ tem competência para investigar magistrados mesmo
antes de denúncias serem apuradas pelas corregedorias dos tribunais
estaduais. Aproveitando a decisão, a AGU reforça que a apuração sobre as
movimentações não pode parar. A liminar que interrompeu a investigação
foi concedida numa ação impetrada por três entidades: Associação dos
Magistrados do Brasil (AMB); Associação Nacional dos Magistrados da
Justiça do Trabalho (Anamatra); e Associação dos Juízes Federais
(Ajufe).
“Ao contrário do sustentado pelas impetrantes, os atos praticados
pelo CNJ nos procedimentos impugnados são legítimos, não havendo
violação à lei e nem à Constituição”, diz o recurso do advogado-geral da
União, Luís Inácio Adams, e outras duas integrantes da AGU.
Adams rebate argumentos da AMB, Anamatra e Ajufe contra atos da
corregedora do CNJ Eliana Calmon. Lembra que a apuração começou em 2009
quando a corregedoria era comandada pelo ministro Gilson Dipp. Calmon
deu sequência à apuração, segundo Adams, sem quebrar sigilo nem comandar
devassa de mais de 200 mil pessoas, como sustentaram as entidades dos
magistrados.